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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Liberdade Consistente

          Em uma conversa com uma amiga hoje à respeito do tempo, da vida, dos sentimentos, relacionamentos humanos e fim de relacionamentos amorosos ela faz uma observação que consiste no seguinte:
          - Como ficamos cegas quando estamos na relação, né?
          Eu ponderei e disse que não sinto que é cegueira, mas sim que é vontade de ter alguém, porquê viver sozinha também cansa!
          Então o diálogo continuou com ela dizendo que somos nós que temos que olhar o que falta dentro da gente, o que precisamos, que para não pensar é preciso preencher a nossa vida com bastante atividade, enfim...Que a pessoa que ela curte, também a curte, mas não quer relacionamento para não perder a liberdade.

          Olha, confesso que nesta hora me dá palpitação de pensar assim, o Universo consiste no Yin e Yang, no Duo, então porquê nós, seres humanos que estamos aqui para procriar, desenvolver espiritualmente, conviver, nos apoiar precisamos aprender a viver sozinhos e nos preencher de atividades para sufocar nossos sentimentos?
          Sentimento é para viver sim, ouvir sim, isto não significa de forma nenhuma ser uma pessoa desequilibrada, mas sim cumprir algumas leis Universais, não nascemos e não nos enterramos sozinhos, então porquê a vida tem que ser solitária?
          Não necessariamente um relacionamento amoroso, afinal as amizades também estão aí para nosso desenvolvimento, abrigo e aconchego, mas também amoroso, afinal, que covardia é essa ao sufocar os sentimentos?
          Curtir um ao outro e não se relacionar para não perder a liberdade? Oras, uma coisa não anula a outra, sejamos libertos juntos.
          Não quer ficar, ok, tudo bem, ninguém precisa e nem tem que querer, mas se olhar, se permitir, sonhar, sentir, tudo vem no pacote da vida e não devemos colocá-la nas profundezas do nosso ser.
          Sejamos livres o suficiente para nos permitir sentir.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Tempo

E o tempo vem como uma avalanche.
Sem que se percebesse ele passou,
E a vida aconteceu,
E machucou,
E a gente descuidou,
E marcou,
E o coração endureceu,
As lágrimas secaram,
O amor morreu.

A vida corre,
Sem que se note.
Rugas,
Pés de galinha,
Celulites,
Gorduras,
Descuido,
Desilusão,
Desamor.

O relógio não para,
O tempo não perdoa,
A vida não volta.
Lembranças,
Histórias,
Marcas,
Passado,
Presente,
Futuro!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Padecendo no Paraíso

     Elas estão se revezando.
     Há umas três semanas foi Valentina que acordou de madrugada com dificuldade para respirar, então às 3:30h da manhã lá estava eu, dando entrada no Pronto Socorro.
     Semana passada foi Sofia que me fez ir ao hospital correndo, 4h da manhã. Levou um tombo da cama e se queixou de muita dor. Fomos liberadas depois de um raio-x e muitas perguntas e olhares desconfiados. Fomos liberadas depois que foi concluído que ela apenas caiu da cama.
     Há dois dias atrás Valentina acordou, por volta desta mesma hora, 3:30h, 4h, vomitando. Depois de um banho foi deitar com a mamãe sorrindo.
     E hoje, Sofia, um pouco mais tarde, 5:30h, acordou se sentindo mal, tonta, com náuseas, dor-de-cabeça e afins, claro, fomos novamente correndo para o Pronto Socorro.

     Aí me perguntam: - O que você faz da vida?
     - Sou mãe!
     - Não! Para viver.
     - Ah! Para viver?
     - Bom sinto o cheiro delas, cada vez que vem para o meu colo, sorrindo, chorando, ou só em busca de colo, farejo, como um bicho, para sentir o cheiro das minhas crias.
     Ás vezes as chamo para o meu colo, com saudade do cheiro delas.
     Ás vezes chegam da brincadeira, suada e mesmo assim, é o melhor cheiro do mundo.
     Por vezes esbravejo e grito, dentro de mim, que não nasci para ser mãe, que não tenho paciência, que me falta este dom e que eu não aguento mais, até que uma delas chega e quando eu percebo já invadiu o meu colo e sinto o cheiro de filha.
     Até quando uma grita de fome e a outra pede uma revistinha no banheiro, para ajudar a fazer cocô, e eu penso nos comerciais de margarina, me perguntando onde está o romantismo de ser mãe, com sobrancelha bem tirada, unhas feitas e um maridon boniton e gente boa, mesmo assim eu continuo sendo mãe.

     Tantas outras vezes quero desistir, não é fácil ser uma mãe separada e responder a todas as perguntas.
     Outras vezes quero ser a mulher mais linda e inteligente do mundo.
     Ver minhas filhas rirem e com muita satisfação proferirem: - Esta é a minha mãe! Sabe até que chuchu se escreve com ch, além da letra de todas as músicas do mundo!
     O fato é, que querendo ou não, me divertindo ou não, gostando ou não, e eu até gosto, mesmo não sendo muito, para viver eu sou mãe.

domingo, 25 de agosto de 2013

A marca dos 5000 views

          5 anos, 10 meses, 7 dias, 104 postagens, das quais 94 foram publicadas, 27 comentários, 3 cidades, 1 filha, 1 marido, 1 namorado e alguns amores depois o Pinkekeando atingiu a marca de 5000 views. Para mim uma marca muito legal.
          Me lembro do dia em que eu criei o blog,eu morava em Salvador e já tinha um tempo que eu tinha vontade de ter um espaço para colocar as minhas ideias, era um domingo como este e o que dominava era orkut e o msn. Ideia ainda tinha acento.
          Passei o endereço para alguns amigos e sempre que postava mandava o link para uns poucos, a intenção nunca foi atingir um alvo grande, para não criar um vínculo onde eu tivesse a obrigação de atualizar sempre.
          Aliás, já fiquei um ano sem postar e então eu fiz um post prometendo voltar mais constantemente, quase todos os dias...voltei quase um ano depois...hahaha (Fazendo estas contas então devo diminuir 2 anos da idade do blog?)
          E por falar em posts o assunto que eu mais falei aqui foi sobre sentimentos, 24 vezes, depois sobre mim (sinal que não me preocupo com a vida alheia) 17 vezes, falei bastante também sobre o amor (what?) 12 vezes. E eu tenho quase certeza que eu não coloquei marcador toda vez que eu falei sobre música, só tem 4 marcações.
          Eu de vez em quando releio minhas postagens e fico muito feliz em ver que eu melhorei muito. Me dá nos nervos encontrar erros de português, muitas vezes erros ridículos, inclusive de pontuação. Além de abreviar muito as palavras. Ainda hoje eu abrevio quando estou conversando, mas no blog prefiro não.
          Ah, e sabe qual foi o post mais visto? Foi a única vez que eu falei sobre futebol, o Vai Corinthians!!!, em segundo lugar está o Superação, acho forte, gosto dele, e em seguida vem a MINHA vida.
          O dia que mais teve visita foi este mês, dia 15, atingi a marca de 150 views no blog em 24 horas, a máxima tinha sido 40 e alguma coisa. Isso fez com que o post deste dia, Eu, o impossível chão ficasse em quinto lugar no ranking, e este foi, com certeza, o post mais difícil de escrever e o que eu mais expus, mas me fez muito bem, foi como desengasgar.
          Se baunilha fosse fruta... ainda é dos meus preferidos, eu rio sempre que eu leio, o Passarinha é o que eu acho mais delicado e A nossa história ainda me tira suspiros.
          Gosto muito quando as pessoas falam que vieram ao meu blog e se identificaram. Estes dias uma amiga falou que leu um poema que eu compartilhei no face e chorou. Eu respondi: Foi do Carpinejar o poema que eu compartilhei, e ela: É lindo, falando sobre a Solidão. Daí eu ri e disse, não, sobre a Solidão é meu!
          Não, eu não fico feliz porque alguém está triste, mas sim por ter meu objetivo como escritora atingido, alguém se identificou. =)
          Apesar de não almejar milhões de views em um dia e nem muitos comentários, fico feliz quando comentam e principalmente quando não está como Anônimo.
          Tentei escolher um post preferido, mas não tenho. Em termos técnicos eu acho que do ano passado pra cá eu arrebentei, melhorei muito (sem prepotência), eu percebo isso e já obtive alguns feedbacks que vieram confirmar.
          Apesar de não ter um preferido tem um que eu escrevi sobre Padrão Familiar e este foi o que mais trouxe pessoas até mim falando que se identificou e gostou muito do texto, modéstia a parte, eu realmente acho ele fuderoso. O que eu mais chorei relendo foi Reconhecendo o olhar e o que eu mais repassei mentalmente antes de escrever foi Meu conto de fadas.
          Reconstruindo também foi um marco e lendo ele depois do meio do ano eu ainda me identifico com o que eu desejei no fim do ano.
          E como não podia deixar de ser Participação muito mais do que especial ainda me enche de alegria e sempre que eu posso eu uso ele para incentivar Sofia a estudar, não que ultimamente tenha adiantado... :/
          Encomenda eu tive uma, e dei uma travada, mas escrevi e a pessoa que encomendou curtiu, aliás, eu ter travado foi um ensejo para o post Porque a vida nunca nos dá a resposta que queremos?.
          Enfim, eu pensei em fazer algo diferente, daí eu pensei: Sorteio! E então eu pensei: Vai no modismo Carolina? Todos os blogs fazem isso em busca de popularidade e essa não é a proposta do Pinkekeando, tudo bem, você é artesã e gosta de presentear com os seus produtos, mas enquanto eu pensava uma amiga, do nada, mandou uma mensagem inbox no face: Sedex tá muito caro. Desanimei...hahahaha. Depois eu comentei com ela sobre o blog e que eu pensei no sorteio, mas que talvez isso trouxesse uma popularidade em que me obrigasse a publicar mais no blog e enfim, não sei se estou preparada para isso, então por enquanto, nada de sorteio, mas, eu aceito presentes =), só mandar mensagens inbox, ou um comentário aqui mesmo...huahuahuahu
          Bem, de qualquer forma é legal estar aqui este tempo e ver que a proposta do blog não mudou, ainda falo sobre mim, sobre a vida, sobre filmes, músicas, política e a vida.
          O layout pouco mudou e rosa ainda é a minha cor preferida.
          Sejam sempre muito bem vindos e venham sempre ao Pinkekeando. Deem feedbacks, gosto deles. =)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Solidão

Sem prévias licenças ela invade,
Como quem fosse convidada ela assenta-se.
Faz-se cruelmente presente.
Então vem os modernistas: -Só se sentirá feliz com alguém quando se sentires bem sozinho.

Ora, faça-me o favor, não nasci para viver só, se assim fosse não teria nascido ligada a um cordão umbilical
Gosto de gente, de movimento.
Gosto de risos, palavras, conversas jogadas fora e debates políticos.
A solidão arde.

É uma necessidade de demonstrar o quanto se vive bem sozinho,
O quanto está melhor após terminar um relacionamento, que eu realmente não entendo então porque esteve junto.
Esteve junto porque a companhia da pessoa é agradável? Por medo de estar sozinho? Para não passar atestado de "falido no amor"?
São tantos motivos que ligam as pessoas e depois elas simplesmente desdenham, como se aquela união tivesse sido a mais burra.
Bem, pode ter sido, mas a burrice foi sua, meu caro, minha cara.
É constrangedor ver sua alegria forçada em estar só.

A solidão segue de mãos dadas com a desilusão e há de se ter cuidado para não abraçar o amargor.
Ter momentos solitário é diferente de conviver com a solidão.
Cuidado ela chega sorrateiramente afetando seu humor e te faz acreditar que é mais sábio dividir-se consigo mesmo, e então quando menos esperar estará em cacos, sem ninguém que possa colar.
É agonizante.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Sentindo

Sinto muito, sinto pouco, já nem sinto.
Sinto saudade, sinto frio, sinto calor, sinto desejo, sinto você.
Sinto que agora faz sentido.
Sinto que muita coisa perdeu o sentido.
Sinto que me sente.
Te sinto!
Perco os sentidos.
Me recupero em sentimentos.

terça-feira, 19 de março de 2013

Reconhecendo o olhar

          Há tantas coisas para se dizer, foi dito tanta coisa.
          Vivido muito mais, intensamente, em tão pouco tempo.
          Os olhos, Janela da Alma, se reconheceram tão rapidamente.
          O sonho veio antes, avisar. De repente um susto. Um amor.
          Tantas palavras, que para se fazer entender não eram necessárias.
          Eles apenas se conheciam, se sentiam.
          Vibraram juntos, trocaram energia.
          Riram. Foram felizes. Ficaram felizes. Estão e serão felizes.
          Choraram e riram de si, para si, para o outro.
          Poderia ainda ser dito muito mais, ser contado muito mais, mas basta o que os olhos captaram, as memórias gravaram e corações sentiram.
          Músicas, olhares, bocas, mãos, pés, joelhos, cabelos, risos. Reconhecimento.
          Sendo tantas em uma.         
          Caberiam ainda por aqui muitas palavras, descrições, mas tudo se torna desnecessário.
          Apenas o sentimento e o olhar do Reconhecimento, que quebraram paredes e nos devolveu e colou mais alguns pedaços de nós em nós mesmos.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Canto para minha morte

          Eu amo música, quantas vezes já falei por aqui que sou regida? Algumas duas vezes.
          E estes dias escutando uma boa música em alto e bom som eu pensei numa coisa, que eu nunca registrei que eu quero música no meu velório, música boa, de qualidade, óbvio.
          Raul, Gonzaguinha, Elis, Luiz Melodia, Chico, claro!, Legião, Roberto Carlos, Reginaldo Rossi, sim senhores, Janis, e mais um monte de músicas que eu amo ouvir.
          Como não pretendo ser enterrada e sim cremada, e pretendo viver mais uns 100 anos, lúcida, eu ainda terei tempo de adicionar muita coisa ao meu repertório, mas não deixem de colocar uma música bem alta e nada de aparecer com dor de cabeça e pedir para abaixar o som. NÃO, alto sim!
          Música boa é para se ouvir em um volume alto, cantar, interpretar, chorar, rir e tudo que se permite esta maravilha.
          Música é a essência do que vivemos, traduz o que sentimos, revela o que somos.
          Preciso de música para dirigir, para limpar a casa e até para pensar.
          Preciso de música para viver, logo preciso de música para morrer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O diferente do igual

          É um vai e vem de sentimentos, um rebuliço de desejos, uma avalanche de dúvidas.
          Vontade de fazer tudo diferente, vício em fazer tudo igual.
          As angústias saltam o peito, amedrontam o coração, amarguram as lembranças.
          Dúvida! Dúvida! Dúvida!
          De repente eu percebo que o desgaste é desnecessário, é só ter coragem e ir em frente, fazer diferente.
          Desnecessário, mas não tolo, nem fácil.
          Fazer diferente é necessário para resultados diferentes, mas se desvincular do "fazer tudo igual" é um processo que requer quebrar paradigmas, remover o que não serve mais, e se não é fácil com objetos, imagine com sentimentos.

          Dia destes fui indagada por uma amiga, se perguntando se ela seria a mais carente, pois ela sente uma forma de carinho pelas pessoas e não sente o retorno disso.
          Pois é, eu já me indaguei também muito à respeito disso, até que concluí que as pessoas sentem diferente, de maneiras diferente e que há muita superficialidade nas relações, o que traz sofrimento para quem se entrega mais, e com isso causa as dúvidas, as amarguras, os medos.

          Entender não é a questão, mas sim aceitar que o outro é diferente, e neste processo de aceitação respeitar o limite de cada um, de entendimento, de amor, de demonstrações de afeto, de dúvidas.
          Chega ser covarde o uso da superficialidade com as pessoas, o apelo sentimental e a manipulação de quereres.
          Demonstre-se, encare-se.
          Demonstre, encare.
          Acovardar-se, limitar-se em um casulo nada te diferencia dos mentirosos e manipuladores.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Reconstruindo

          2013 começa a acontecer, 2012 enfim chegou ao fim. Ufa!
          O mundo não acabou, mas eu quase. Que ano!
          Em alguns momentos eu cheguei a achar que não superaria, mas superei, com uma grande lição e mudança, nos 45 do segundo tempo.
          É difícil. Viver é difícil! Apenas para quem tem coragem.
          Muitas risadas de alegria, de desespero. Outros tantos choros desesperados de alegria e tristeza.
          Se cada sentimento tem trazido aprendizado do tamanho de um grão de areia, tem trazido coisas grandiosas.
          Evoluir, se livrar de velhos padrões, tudo tão trabalhoso e doído.
          Por vezes somos mal tratados, pela vida, pelas pessoas e mesmo isso se torna um padrão de comportamento, e mesmo isso não é fácil mudar, mas é preciso coragem, é preciso saber viver, é preciso amar, perdoar e continuar. Se perdoar.
          Pra isso vem um novo ano, novos dias, novas chuvas, e o mesmo sol, que brilha igual para todos, devemos aproveitar sua luz. Acredito em uma Nova Era, em um bom recomeço, em mais respeito, compreensão e amor.
          Caminhando, pedalando, continuando o processo da vida, encontrando a felicidade e paz, principalmente a interior.
          Viva 2013, Viva cada dia que nos traz uma oportunidade de sermos melhores, sobretudo para nós mesmos.
         No balanço que faço que há alguns anos, que inconscientemente começo em meados de dezembro, percebi quantos padrões de sentimentos me acompanham, mas os deixo para 2012 e o que veio antes dele, de agora em diante se eu não puder desejar o bem, desejo não desejar.
          Se não me fizer bem, desejo não desejar.
          Se não vier por bem, desejo não desejar.
          Se não acontecer para o bem, desejo que não aconteça.
          Desejo não ter que cobrar verdades, pois não desejo mentiras.
          Desejo não cobrar amor, pois não desejo desamor.
          Desejo não rir desesperadamente, nem mesmo chorar assim, pois não desejo descontrole.
          Desejo não apontar, pois não desejo julgar.
          Desejo encarar a vida.
          Desejo encontrar me encontrar com coragem.
          Desejo viver o presente.
          Desejo aprender com o passado.
          Desejo que o futuro aconteça apropriadamente no seu tempo.
          Desejo ganhar as batalhas, enquanto aprendo a vencer ou perder com dignidade as lutas.
          Desejo ser firme.
          Desejo ser forte, mas saber me envergar quando for preciso.
          Desejo mais beijos.
          Desejo mais carinhos.
          Desejo mais abraços.
          Desejo mais amor.
          Desejo boa música.
          Desejo sorte.
          Desejo amigos.
          Desejo harmonia.
          Desejo sabedoria.
          Desejo paz.
          Desejo amadurecimento.
          Sobretudo desejo agradecer à Deus, que esteve presente este ano, agradecer à minha família, filhas, irmãos, mãe, cunhada, sobrinhos (Dostoiévski que irá nascer e Nirvana que veio de pára-quedas), algumas queridas primas, meu tio e minha tia, também agradeço aos amigos que abraçam, beijam, conversam, compreendem, amigos que ficam online, sem nunca ter olhado nos teus olhos, mas te compreendem, admiram, amigos que há muito não tem a oportunidade de se olhar nos olhos, mas não se esquecem, amigos que ligam, amigos que deveriam ligar mais.
          Agradeço a estas pessoas por terem feito parte de uma maneira tão importante do meu ano.
          Quem me acompanha mais de perto sabe como são poucas estas pessoas, mas o quanto cada uma delas é importante nesta minha caminhada, neste meu processo de amadurecimento tão dolorido, mas tão necessário para que se vá o mal hábito, o mal trato.
          Neste meu recomeço, nesta reconstrução.
          Sou grata pelos ouvidos, pelas duras, pelos olhares compreensivos.
          Sou grata por ter descoberto minha família perto de mim.
          Que venha 2013 com todo seu resplendor, iluminando, revelando, despindo, sentindo, sorrindo, carinhando.
          Que aconteça 2013!

domingo, 9 de setembro de 2012

Dépaysement


          Eu tenho a sensação de estar sempre fora de contexto, de nunca estar onde eu deveria, ou até mesmo gostaria de estar.
          Me parece que meus amigos estão sempre longe, outras cidades, estados, países.
          Vivo a constante de achar que se eu tivesse naquele outro lugar eu estaria bem, feliz, completa.
          A sensação de incompletude me acompanha.
          E então eu me pergunto: -Eu não caibo neste mundo? A vida não me veste?
          Sim, a vida me veste, mas nem sempre, ou quase nunca, me basta.
          O ser humano é movido pelo que ainda não conhece, pela estranheza das coisas, pela insatisfação.
          Eu penso que se em algum momento atingirmos a sensação de realização plena, ficaríamos desmotivados, se alcançarmos os objetivos e não tiver mais nada pela frente a gente pode parar, estacionar e ficar, e então não há mais progresso.
          Não falo do progresso científico, material, não que estes não sejam importantes, mas falo do progresso espiritual, mental, de auto-conhecimento e crescimento.
          Por vezes me martirizo por não estar satisfeita nunca, até que percebo que sou movida pela insatisfação. Não por um bel-prazer de reclamar, mas de procurar o novo, vivenciar o que ainda não veio, o desconhecido. E então me conformo por ser uma eterna insatisfeita.
          Não, na verdade nunca me conformo, nem em ser uma eterna inconformada, o conflito interno nunca para. "Pare de reclamar". "Não se conforme". "Está bom". "Tem que ser muito melhor".
          E assim sigo os dias, procurando as respostas nas músicas, leituras, no dia-a-dia e nas constâncias e, principalmente, inconstâncias da vida. Com a sensação eterna de estar deslocada. Mas isso é o que me move a procurar o meu lugar no mundo, sempre tendo a certeza que o meu mundo está em mim, e que este é o único mundo que eu caibo, onde posso falar todas as línguas que invento.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A casa

Naquela casa pouco havia, além de paredes brancas e desejo.
O quarto começou a ser composto por apenas um colchão, uma estante de ferro e carinho.
Naquela casa pouco havia, além de paredes brancas e amor.
O outro quarto começou a tomar forma e sons.
Naquela casa pouco havia, além de paredes brancas e uma rede.
A tv era apoiada em sua própria caixa, mas a toalha de renda dava graça.
Naquela casa pouco havia, além de paredes brancas e o cheiro do tempero na hora do almoço,
Que era servido na sala em uma modéstia mesa e uma tábua de passar servia de aparador para as panelas.
Naquela casa pouco havia, além de paredes brancas e amigos.
Que iam para o churrasco, para as risadas...
A casa foi se moldando e virando um lar.
No quarto já tinha cama, e depois de um dia solitário acordava sobressaltada, mas estava apenas sendo acolhida e aconchegada, ás vezes seguia uma declaração de amor eterno.
A casa que não tinha quadros e nem enfeites ganhou uma samambaia, e um aquário com peixes laranja.
Naquela casa, que pouco havia, até a parede branca foi rabiscada.
Naquela casa, que pouco havia foram queimados os sonhos.
Naquela casa que pouco havia e tinha se tornado um lar desmanchou-se, desmoronou.
Naquela casa que pouco havia, hoje não há.
Era uma linda casa, um lar promissor, mas hoje além de queimado os sonhos, foram apagadas as esperanças,
Foi apontado o desejo,
Foi mal-dito o amor,
Foi esquecida a rede,
O tempero ficou insoso.
Naquela casa que pouco havia e hoje não há,
Foram-se os amigos,
Calaram-se as declarações,
Mas ela ainda acorda sobressaltada na madrugada, com a sensação de aconchego,
Logo que percebe o engano adormece repassando o filme do lar, que nada faltava.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Além do coração

Cada palavra fez com que meu coração acelerasse e se dilacerasse.
Cada letra tocava fundo em minh'Alma e embargava a voz.
Me sentia, novamente, sendo atropelada.
Mas não há culpados, nem vítimas.
Há pessoas, fatos e sentimentos.
Para que acontecimentos fossem explicados foi necessário atropelar sentimentos.
Doeu, dói fundo, mas algo em mim se quebrou, além do coração.
Dizer que sinto muito por algumas coisas seria uma hipocrisia, mas também não posso dizer que há satisfação.
Quisera eu ocupar um lugar de destaque.
Quis, eu.
Quero, eu.
Porém, percebo que não posso forçar, não dá para impor.
Algo em mim se quebrou, além do coração.
Minhas letras, palavras foram com o vento, mas os cacos do meu coração irei juntar, um a um e então colar, quantas vezes se fizerem necessárias.
Há o que é de bonito para se oferecer, mas do que adianta se não é aceito?

Quisera eu ocupar um lugar bonito, de destaque.
Quis, eu.
Quero, eu.
Mas, algo em mim se quebrou, além do coração e seguirei juntando e colando.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

a MINHA vida

Cansei, não sei que rumo tomar.
Cansei da vida e seus dissabores,
De onde td é tão cobrado e nada entendido.
Cansei desse jeito de viver mais ou menos, onde tudo é simplesmente "levado"
Cansei destes medos e a forma que as coisas vão se desenrolando.
Cansei de onde tudo parece conspirar contra, onde as coisas são despejadas em cima de mim.
Cansei da aceitação,
Cansei de não ter as respostas,
Cansei de ser só,
Cansei de ter que lutar,
Cansei dos dissabores,
Cansei da vida...

Parece que é mais cômodo não entender, que é mais cômodo o brinquedinho antigo ficar esquecido no canto, deixá-lo lá, só, envelhecendo, amargurando, afinal, se não tiver que encontrá-lo sempre, não há do que se cobrar.
O brinquedo antigo acompanhou as etapas de crescimento na vida, com ele houve aconchego, mas tb houve enfrentamentos pessoais.
Então, deixa ele lá, esquecido no canto, porquê mesmo que ele tenha acalentado o coração, se deparar com ele a todo momento é ter que lidar com as incertezas e medos enfrentados anteriormente, e isso, não é cômodo.
A opção pela comodidade é mais segura, o brinquedo novo não é tão querido, mas traz segurança e a tranquilidade de poder esquecer-se de si.

Bom, a verdade é que li um texto no blog Cem +1 denominado "As marcas que quase ninguém vê", e este texto me abalou profundamente, e os comentários ainda mais.
Fico lendo, analisando e me identificando com muitas partes dele, assim como me identifiquei em muitos comentários
Em muitos momentos da minha pequena existência concluí que para mim é mais dolorido do que para as outras pessoas acordar, lidar com o mundo, conviver com a pequenez das pessoas, não pq eu seja egocêntrica, não é isso, tb não pq eu não seja, mas é que o ser humano tende a colocar o mundo sob sua perspectiva e percepção, então se as pessoas lhe parecem tranquilas e conseguem sorrir na vida, trabalhar, conversar e conviver entre si é pq não tem essa dificuldade de convivência, deu para entender o raciocínio?
Bom, enfim, sei que em vários momentos sinto esta dor descomunal ao me deslocar, ao ter que conviver socialmente, e então me enterro na minha cama, por vezes planejo ir morar em um lugar distante, onde ninguém fale a minha língua, e eu more só, com muitos filmes e livros em uma pequena edícula. Nunca tentei pôr fim a minha vida, mas entendo perfeitamente a diferença entre querer estar morta e querer morrer. Eu quero estar morta, todas estas vezes.
A lembrança da peça "Um Navio no espaço ou Ana Cristina César" também se fez presente a cada linha que meus olhos percorriam. Lembro de ter me emocionado durante a apresentação, não só por estar vendo o Paulo José com encantamento e ter ido cumprimentá-lo -cahan-, mas pela história, com o desfecho da história e da vida de Ana Cristina César.
Eu enfrento este bichinho ~é a forma que chamo a depressão~ há alguns anos, tenho agora procurado tratamento, porém tenho passado por uma fase, que confesso, não quero me tratar, quero sumir.
E então vêm as cobranças do tipo: - E suas filhas? Sua vida vale tão pouco?
Com licença quem não gostar, mas as minhas filhas? Não faz parte da cabeça depressiva como irão ficar os demais, afinal se uma pessoa que está em depressão significa que ela não tem dado conta de si, o que dirá das outras criaturas, mesmo que elas sejam lindas e tudo que conseguimos é sentir amor por elas.
Sim, elas são o que me segura, que me faz levantar, trabalhar e desejar o melhor para mim, pois só assim poderei dar a elas o que precisam para serem melhores para si.
Minha cabeça roda, transita no passado, no presente e futuro e concluo que não sei lidar com as dores e angústias que tenho sentido, não penso pôr um fim real à minha vida, mas concordo ao pensar que não seria nada mal esquecer dela, ou de parte dela, e aí pondero: Isso tb não é pôr fim? Deve ser.
E então lembro-me de Karen e volto intensamente desejar que a minha vida seja uma obra de ficção. Que a vida imite a arte!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O restante...

E agora o que nos resta?
Não resta a nós, resta a mim.
Resta só a mim, as minhas lembranças.
Minha mente vagueia sobre elas e tenta trazê-las para o presente.

Presente?
O presente parece distante.

E então, o que me resta?
Lembranças que vagueiam e de alguma forma tento, como em um quebra cabeças, uni-las.
As lembranças são companheiras, mas não me fortalecem.
A vida segue, muitas vezes sem rumo, sem certezas.

Certezas?
Não há como tê-las, afinal nem sei qual é o certo.

E o que resta?
Um passado de lembranças,
Um presente distante,
E um futuro incerto.

domingo, 3 de junho de 2012

Razão ou Coração?

Que rumo seguir?
O que fazer?
O que pensar?
O que sentir?

Assumir ou sufocar?
Gritar ou engolir?
Ligar ou se remoer?
Rir ou chorar?

Sumir?
Encarar?
Desistir?
Lutar?

Razão ou Coração?

domingo, 27 de maio de 2012

Tempo da Delicadeza

O amor já caiu, doente, doente...
Já parti e perdi.
E agora vem o tempo da delicadeza?
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu.

 As palavras acima foram descaradamente retiradas da música Todo o Sentimento, de Chico Buarque e Cristóvão Bastos.
Tentei discorrer sobre a letra, mas neste momento não cabe complementos sobre a letra e menos acerca dos Sentimentos.
E sim, eu usei licença poética para mudar uma ou duas palavras e pontuação.

sábado, 26 de maio de 2012

Medo

De repente, como de sopetão, chegou o medo.
A mente descompassada pensou, refletiu, ponderou, o coração acelerou.

O sinal pisca no amarelo, pedindo todo o cuidado e atenção, mas na noite passada avançamos.
Medo!
Mas logo o coração coloca tudo no compasso, inclusive a mente, porém o medo, este segue presente.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Minh'Alma


Metade da Minh’Alma foi embora, ou eu abandonei, não sei mais.
Mas ela sabe que é minha, que é minha metade, assim como sabe que a outra metade dela está comigo.
Mas ela não quer mais voltar.
A metade que eu tenho chora de solidão, angústia, dor, esperança, dúvida.
Metade da Minh’Alma não quer mais me acompanhar, tem medo de se ferir, mas ela sabe que a outra metade está aqui, doída e que não há outro encaixe.
Metade da Minh’Alma quer seguir pela metade, mas a parte que está comigo não tem suportado.
Talvez nossas metades sigam tranquilas com outras Almas.
Mas elas sabem que tudo que elas conseguirão ser é metade d’Alma.

Que foi embora, ou abandonada...não sei mais...