Claro que Cartola entala na minha garganta, no meu grito.
Mas não posso citá-lo, afinal de qualquer forma tens que conhecer a vida por ti, com amores, ilusões, desilusões e realidade.
Amo-te infinitamente e, por isso, não posso privá-la da vida, dos sonhos, dos dissabores e tão pouco dos sabores.
Só posso dizer que estou aqui, a um passo de distância, a uma ligação de lonjura.
Ligue para falar, ou ficar calada.
Apareça para abraçar, ou comer bolo e uma comidinha da mamãe. Ou para ambos.
Queria poder ter ido a frente e dar a rasteira em quem machucou seu coração, mas talvez a pessoa nem esteja errada.
Quantos corações você também machucou e eu não sei? Muitos, nem você.
Não posso ir a frente da sua vida, mas não estou distante, talvez a uma oração de distância, este dia vai chegar, que estarei apenas na oração, mas se oriente por ela, aliás, se oriente sempre pela oração, pelo reconhecimento a Deus, ao Mestre, ao que é Superior, do alto.
Se ligue no que é bom, assim poderá voar mais alto e as rasteiras estarão mais distantes.
O Mundo é um Moinho, mas use o vento a seu favor, sempre no sentido do amor.
Não! Nem de perto, mas uso batom vermelho, como eu desejava.
Faço minha unhas quando quero, uso esmaltes de todas as cores.
Não sou uma alta executiva, só alta, então pouco uso salto.
Só tenho roupas que gosto e uso o que eu quero e quando quero.
Gosto de como me visto.
Do que tenho.
Demorei para ter um quarto só meu, mas agora tenho uma casa só minha.
Ela é bonita, acolhedora, decorada por mim.
Comprei todas as roupas e sapatos que eu quis. Acabei de doar 50% das coisas.
Sou o que eu sonhei aos 17?
Não! Ainda nem concluí uma faculdade, mas trabalho com arte, cores e chocolates.
Tenho vários amigos, muitos acessórios e uso óculos escuros de todos os tipos e sempre.
Não sou como me definiria aos 7, 13, 18, 23...Sou mais confiante do que imaginei, tenho mais amigos que dedos e faço bolos melhores que algum dia cogitei. Aliás, eu agora gosto de bolo.
Conheceu o amor da sua vida?
- Sim, e me casei com ele.
Ficará com ele?
- Hoje não estamos juntos, mas numa vida de reviravoltas não posso afirmar nada, Deus é quem sabe.
E o que eu diria pra mim aos 10?
Relaxa! Curta os natais e os anos-novos, seu vô e sua vó viverão ainda um bocado e sua festa de 12 anos será incrível!
Aos 13?
- É, isso é depressão, mas passa. Reze! Fique perto de amigos.
Aos 15?
- As poucas fotos da sua comemoração dos 15 ficarão horrorosas, mas as pessoas envolvidas te amam. E, apesar de não ser aquele festão foca no amor.
- Ah! E seu primeiro beijo será só na sua festa de 16 anos.
Aos 17?
- É a sua fase mais bonita, gostosa, experimental. Curta!
Sua vó te acha linda e enche a boca para falar isso.
Aos 21?
- É neguinha, P-R-E-P-A-R-A!
Aos 22?
- Vai nascer daqui uns dias, você terá que aprender a ser mãe sozinha.
Segue seu instinto que dá certo.
Respira fundo.
Ele ama você.
Você saberá amar este pequeno ser.
Mas não será fácil daqui pra frente, respira fundo e segue em frente.
Reza. Pede pra Deus.
Você há de conhecer muita coisa em pouco tempo e, provavelmente não goste do que irá se tornar, aliás você vai parar de se olhar no espelho, de se olhar nos olhos.
Mas não será uma pessoa seca para sempre.
Você tem amigos e eu sei que é difícil de acreditar, mas ele e ama, só que foi assim que ele aprendeu.
E ela, tão pequenininha é sua companheira, conselheira, ouça o que ela diz, você escolheu o nome certo, SABEDORIA.
Aos 25?
Ufa! Passou o pior! Vai demorar, mas você irá se recompor. Seus cacos irão se juntar. A ajuda está chegando.
E sinto muito, aquele velho medo infantil irá se concretizar. Seu vô vai antes da sua vó.
Você se sentirá órfã. Não há o que fazer. Chore, sempre que tiver saudade, chore.
Aos 27?
- Vishi parece que a vida vai engolir de novo, mas agora é mais calmo, não é a toa que o povo diz que o segundo filho deveria vir antes do primeiro.
Sua separação é um ato de amor, você não vai chorar, mas vai sofrer.
Só siga em frente.
Você irá trabalhar em um filme e ter a melhor das experiências profissionais, mesmo estando com um barrigão.
Irá conhecer pessoas adoráveis.
Ele ainda te ama, mas agora você se ama mais e ama as pequenas.
A pequena que virá é FORTE, e esta é o que ela representará em sua vida.
E ela já nascerá com perdão no coração.
Aos 30?
- PQP! Respira e vai! Não vai ser nessa que você vai morrer.
A depressão é horrível, eu sei, e este ano é tudo que você terá.
Aos 31?
- É a pior. Você terá certeza que vai morrer, mas não vai.
É a pior dor do mundo, é física também.
Dor, culpa, medo, vergonha, mas passa, só respira e continua.
Segue em frente.
Um passo de cada vez.
Você irá lançar um livro daqui um ano.
Aos 32?
- Viu? Passou?
Olha que lugar incrível que você se mudou. E o livro?
Que maravilha! Tornastes realmente mãe, prioriza educação, amor e orientação.
Descobrirá falsidades, vai sofrer um pouco, mas o coração é mais leve. E como sempre, tudo passa.
Só deixa ir o que não é bom, solta.
Solta também os sentimentos não bons, os que te prendem.
Olha quanta gente bacana ao seu redor. Observa quantas pessoas te amam.
Sua casa vive cheia. De gente, de amor, de alimentos, para o corpo e para a alma.
De peito aberto para a vida!
E agora aos 33?
Deixa acontecer!
Você aprendeu a desapegar, então deve ser mais fácil daqui pra frente.
Elas estão lindas!
E ele? Bem, de alguma forma você pode contar com ele. Toda forma de amor é válida.
Confia,
Entrega,
Siga em frente,
Ouça sempre música,
Pare de procrastinar,
Você está exultante,
Linda igual aos 17. E não falo do físico.
"Leviou"
Saboreie a vida.
Escreva seu monólogo, porra!
E daqui 10 anos?
Oras, deu certo até aqui! Então há de continuar.
"Continue a nadar, continue a nadar..."
Fé, sempre!
Reza!
Agradecimentos especiais:
A elas, a ele.
Aqueles que me amam e estão ao meu lado,
Aqueles que saíram do meu lado,
A quem soma,
A quem abre espaço para o novo,
A quem eu amo ter perto,
A quem eu amo ter longe,
E a mulher de vestido verde no ônibus, quando eu tinha 14 anos, que era da mesma cor da minha blusa e, de alguma forma isso colabora com que a minha memória sempre se exercite.
Meu primeiro parabéns hoje foi do pai das minhas filhas, acordei com ele me ligando para desejar-me Feliz dia das Mães.
Aproveitei a oportunidade para agradecê-lo por me dar a oportunidade de ser mãe, de viver a plenitude do meu papel.
Não estava nos meus planos ser mãe, e a aceitação veio chegando aos poucos.
Hoje eu posso dizer que neste meu aprendizado constante do que é ser mãe eu escolhi desenvolver, vivenciar este papel de educar e orientar minhas pequenas, meu tesouro.
A vida é generosa comigo, pois não preciso terceirizar a educação delas, posso desenvolver meus trabalhos em casa e acompanhar o desenvolvimento diário, assim como elas me acompanham.
Tenho duas parceironas, amigas, que me dão bastante trabalho, mas alegrias infinitas.
São amáveis, carinhosas, amorosas.
Sou grata a Deus por me dar este dom de ser mãe, e a dádiva de ser mãe da Sofia e da Valentina, estas criaturas que só somam em minha vida.
Ser mãe dá trabalho e é uma escolha, não consiste em apenas parir, mas educar, orientar, mostrar o caminho do bem.
É grandioso ter o amor da nossa mãe, mas sentir este amor é indescritível.
Que Deus me dê sabedoria para poder orientar sempre minhas filhas no melhor caminho, que eu sempre tenha paciência para educá-las, conversar olhos nos olhos e aproveitar este amor infinito.
Elas estão se revezando.
Há umas três semanas foi Valentina que acordou de madrugada com dificuldade para respirar, então às 3:30h da manhã lá estava eu, dando entrada no Pronto Socorro.
Semana passada foi Sofia que me fez ir ao hospital correndo, 4h da manhã. Levou um tombo da cama e se queixou de muita dor. Fomos liberadas depois de um raio-x e muitas perguntas e olhares desconfiados. Fomos liberadas depois que foi concluído que ela apenas caiu da cama.
Há dois dias atrás Valentina acordou, por volta desta mesma hora, 3:30h, 4h, vomitando. Depois de um banho foi deitar com a mamãe sorrindo.
E hoje, Sofia, um pouco mais tarde, 5:30h, acordou se sentindo mal, tonta, com náuseas, dor-de-cabeça e afins, claro, fomos novamente correndo para o Pronto Socorro.
Aí me perguntam: - O que você faz da vida?
- Sou mãe!
- Não! Para viver.
- Ah! Para viver?
- Bom sinto o cheiro delas, cada vez que vem para o meu colo, sorrindo, chorando, ou só em busca de colo, farejo, como um bicho, para sentir o cheiro das minhas crias.
Ás vezes as chamo para o meu colo, com saudade do cheiro delas.
Ás vezes chegam da brincadeira, suada e mesmo assim, é o melhor cheiro do mundo.
Por vezes esbravejo e grito, dentro de mim, que não nasci para ser mãe, que não tenho paciência, que me falta este dom e que eu não aguento mais, até que uma delas chega e quando eu percebo já invadiu o meu colo e sinto o cheiro de filha.
Até quando uma grita de fome e a outra pede uma revistinha no banheiro, para ajudar a fazer cocô, e eu penso nos comerciais de margarina, me perguntando onde está o romantismo de ser mãe, com sobrancelha bem tirada, unhas feitas e um maridon boniton e gente boa, mesmo assim eu continuo sendo mãe.
Tantas outras vezes quero desistir, não é fácil ser uma mãe separada e responder a todas as perguntas.
Outras vezes quero ser a mulher mais linda e inteligente do mundo.
Ver minhas filhas rirem e com muita satisfação proferirem: - Esta é a minha mãe! Sabe até que chuchu se escreve com ch, além da letra de todas as músicas do mundo!
O fato é, que querendo ou não, me divertindo ou não, gostando ou não, e eu até gosto, mesmo não sendo muito, para viver eu sou mãe.
Domingo de manhã e tudo o que você quer é um dia tranquilo, aproveitar o tempo agradável para arejar a cabeça e sem grandes preocupações.
Eis que, ainda no café-da-manhã, a sua filha de 8 anos resolve desenvolver um diálogo com você, e com a voz suave te chama:
- Mãe.
Você, com a doçura de mãe e a tranquilidade daquele dia responde:
- Oi.
E quando você acha que vai haver um assunto para desenvolver você ouve:
- Hoje eu quero fazer uma tatuagem!
Sem mais, além de olhares, risadas e pensamentos que voam...
Na primeira noite do ano de 2013 abri minha caixa de fotos para a minha cunhada, minha mãe e minhas filhas.
Valentina:
- Olha a Bia (Sofia)!
risadas
Mamãe:
-Sofia, vem cá!
Mostrando a foto:
- Quem é?
Muitas risadas de Sofia...
Sofia:
- Sou eu, mas eu não me lembro desta foto.
Risadas na mesa.
Mamãe:
- Não, sou eu, quando tinha a sua idade.
Sofia:
- Sério? Quer dizer que quando eu crescer vou ficar assim? Que nem você?
- Que legal! Você é linda mãe!!!
Um abraço, tudo esclarecido. Muita emoção.
Sim, eu sei que já falei aqui que dificilmente outra pessoa seria convidada a postar no Pinkekeando, mas vejam bem, usei a palavra dificilmente, ou seja, há casos especiais, e este é muito mais que especial!
E neste caso mais do que especial eu quero, com muita alegria e satisfação apresentar a vocês uma nova escritora, que vem arriscando seus primeiros esboços, afinal, quem sai aos seus não regenera.
Filha de mãe (e aqui tb) que se atreve a escrever e pai poeta, sobretudo um dos melhores compositores que conheci, e olha que sem modéstia nenhuma eu posso dizer que se tem uma coisa que eu conheço e entendo é de composições de letras. Quem me conhece sabe que não sou movida à música e sim regida, conheço uma infinidade de músicas, que por vezes até eu me surpreendo.
Bom, sem mais delongas vou postar a primeira historinha de Sofia, ela escreveu em casa, no meio de uma inspiração qualquer e eu achei sensacional.
A menina e o cão
Em um belo dia uma menina estava passeando e viu um lindo cachorro perdido. Ela ficou com pena e ficou com o lindo cachorro e batizou de Gustavo Borges.
No dia seguinte a menina chamada Sofia foi dar comida pro Gustavo, só que ele tinha fugido. Ela o procurou pelo país inteiro, menos dentro da casinha dele.
Foi aí que Sofia exclamou:
-Eu me esqueci de procurara-lo dentro da casinha, vou lá agora mesmo!
E era lá que ele estava.
Quando chegou lá Sofia tinha achado Gustavo, e colocou Gustavo de castigo por uma semana, passaram cinco dias e Gustavo ainda estava de castigo, mas podia brincar com Sofia.
Passado dois dias Gustavo saiu do castigo e aprendeu a nunca mais se esconder de Sofia.
Como fazê-la entender que não estou pra ela, não por não estar para ela
É por não estar pra mim.
Quando eu conseguir, a primeira pessoa que estarei será para ela.
Para todo sempre!
"Sabe Carol, pra quem dá-lhe é fácil esquecer, mas pra quem apanha não é assim não"
Estas sábias palavras foram ditas por Sílvia, trabalhou na minha casa por algum tempo e é alguém que me cativou, hoje não sei por onde anda, mas como gostaria de saber.
Sílvia trabalhou para mim logo que Sofia fez um ano, eu comecei a trabalhar fora e então precisei de alguém que cuidasse da minha casa e da minha filha, ainda tão nova.
Lembro do meu primeiro contato com Sílvia, fui bem clara: -Não tente sair do prédio com ela, porque você não vai conseguir, e ninguém pode entrar também.
Mãe de primeira viagem, tendo que deixar a filha pela primeira vez com alguém que eu não sabia quem, mas não havia outra solução.
Pois bem, não muito tempo depois Sofia já ia dormir na casa de Sílvia, ela conquistou minha confiança e meu carinho.
Sílvia tinha um marido, chamado Claudiomar, mais conhecido como Cláudio, e tem um filho chamado Anderson.
Quando saí do meu trabalho não pude manter Sílvia trabalhando para mim, mas no meu coração e na confiança sim, ainda pude contar diversas vezes com ela, Sofia ainda dormiu muitas vezes em sua casa, sem eu ter nem ao menos que pagar por isso.
Enfim, as circunstâncias que ela me disse estas palavras não foram muito legais, foi um desabafo dela, após Cláudio tê-la traído enquanto ela passava dias fora trabalhando, sim, ela continuava cuidando de crianças, mas ela tinha arrumado um emprego que ela tinha que dormir na casa em que ela trabalhava e ia pra casa só aos fins de semana ou as vezes depois de 15 dias.
Eles reataram ela saiu desta casa, foram embora pra Brasília, tristemente Cláudio, que era um cara da paz foi assassinado e eu nunca mais tive notícias de Sílvia, mas como eu quero saber dela...
Bem, o foco do post não era Sílvia, mas as sábias palavras dela.
Eu sempre me recordo da cena, enquanto ela falava isso, e principalmente quando vejo que pessoas não se contentam nunca no quanto que batem, ou não assumem, acham que tudo tem que ser superado, meu amigo, superar quando você bate é fácil, supere facilmente depois de muito ter apanhado.
Pare de querer bater, pare de ter que estar sempre por cima, não é necessário atropelar seu orgulho que você sustenta com tanto fervor, amor, só tire seu trator devastador do meio do caminho.
Já que é difícil assumir quem és, porque é mesmo difícil para qualquer pessoa se assumir, não menospreze quem te sabe melhor que você mesmo.