Oi Beatriz,
Eu geralmente não quero ser mais uma na multidão, mas neste caso somos todas uma.
Não só você foi abusada, fomos todas nós junto de você.
O seu caso não foi único naquele dia, infelizmente no mesmo dia houve outro estupro coletivo, que não houve tanta repercussão, porquê era no nordeste, negra, mas isso não faz de você melhor, nem pior. Não é culpa sua você ter sido violentada, e nem de outras terem sido violentadas.
A culpa nunca é da vítima.
Gostaria de falar que esta dor vai passar, mas sabemos que não, no máximo ameniza as lembranças.
Somos em milhares com você, emanando boas energias, que é o que podemos fazer neste momento.
Gostaria de dar-lhe um abraço coletivo, de chorar junto pegando na sua mão, mas o choro entalou, não desceu.
Muitas pessoas se conscientizaram da importância do feminismo através da sua dor, e sei que isso também não consola, não conforta, mas eu queria te dizer.
Não existe conforto nesta hora, eu sei, você ainda é uma menina de 16 anos e terá que lidar com muito homens fazendo piadinhas e a encarando, a maioria nem terá ciência que você é a moça das notícias atuais, mas também para a maioria isto ainda não faz diferença.
Desencadeou um movimento através da sua história, sei também que isso não enxuga seu pranto, mas que quis lhe contar.
Contar que estamos aqui fazendo nossas preces por vc, cada uma com a sua crença, mas todas querendo abraçar-lhe, querendo que vc sinta nosso amor.
Não queremos enxugar seu pranto, pelo contrário, desejamos que seu pranto escorra e coloque para fora tudo que puder de dor, li dia destes que choro é dor líquida, dor parada vira tumor.
Mana, estamos aqui, a seu lado. Gritando e chorando as suas dores, que também são nossas.
Sei que nada disso traz conformação, mas eu quis te escrever e dizer que somos milhões em uma <3 .="" br="">3>
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sexta-feira, 27 de maio de 2016
sábado, 24 de outubro de 2015
O Aborto
Faz uns dias que este texto está atravancado na minha goela e dedos, acho até que por isso não tenho conseguido dormir direito.
E desta vez o texto vem pra cá e não para o blog onde eu assino com o meu pseudônimo.
Agora tudo bem o aborto patriarcal, pq eu já não tenho mais o frescor da juventude, tão pouco fico calada perante os abusos dele.
O aborto está sendo praticado, acobertado e apoiado a todo momento pela sociedade hipócrita, afinal a mulher que tem que se cuidar, ela é uma otária pq engravidou, e ele pelo menos paga a pensão.
E desta vez o texto vem pra cá e não para o blog onde eu assino com o meu pseudônimo.
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Vejo-me estuprada diariamente pela sociedade machista e patriarcal.
Sinto nojo de pensar nestas leis que tocam e invadem o meu corpo.
A vontade de torturar estes merdas que fazem comentários sexuais com uma menina de 12 anos é grande.
Até que dia aceitaremos as cantadas, invasões e agressões sociais, patriarcais e machistas?
A dor é contínua.
Dói todos os dias o aborto das minhas filhas.
E não falo daquele que sofri quando perdi um neném e o pai deu graças à deus, falo das que estão aqui, paridas, que o pai troca ausência por dinheiro.
Todos os dias dói o estupro cometido.
E não falo daquele que antecedeu o aborto, falo das filhas que estão aqui, paridas, que vieram para o meu ventre sem a minha permissão, mas o pai delas me achava linda a ponto de tudo bem ter uma filha comigo, mesmo que eu não concordasse.
Agora tudo bem o aborto patriarcal, pq eu já não tenho mais o frescor da juventude, tão pouco fico calada perante os abusos dele.
O histórico familiar de abusos é grande, mas por hoje chega.
Minhas filhas não são mais filhas do abuso, elas são as mulheres que quebram este DNA de abusos.
No meu corpo NÃO MAIS.
No delas, NUNCA!
Chega do silêncio e da vergonha que faz parte da cultura do estupro.
Chega desta cultura machista, patriarcal, preconceituosa e do cala boca e chupa logo.
No meu corpo eu tenho direito.
Das minhas palavras eu tenho o domínio.
NÃO! NÃO! NÃO!
Eu estava dormindo, pq eu estava bêbada e depois pq eu estava cansada, não tive direito sob o meu corpo.
E quantas outras estavam acordadas e sendo apenas torturadas e manipuladas?
CHEGA!
Não me calo mais, não se calem mais.
Ponham pra fora, porquê a culpa não é sua, não é com você, é com ele.
Tiremos a cultura da vergonha e do estupro e enraizemos a SORORIDADE.
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