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terça-feira, 8 de março de 2016
8 de Março! Avante!
Hoje o dia é daqueles, flores, chocolates e parabenizações.
Até cansa de ver tudo isso, outra data comercializada, tem toda uma história e revolução por trás da data que virou comércio.
Enquanto isso no patriarcado falam de igualdade.
Igualdade? Ontem em um grupo de mulheres uma perguntou quem teria coragem de assumir que havia sido estuprada, em 5 minutos mais de 50, e fora aquelas que rolaram a página e não tiveram coragem. Tiveram também as que comentaram que não tinha coragem de assumir em um grupo com tantas mulheres conhecidas.
Pois é, só mulheres e muitas se escondem das outras com medo do julgamento, e o pior? As estatísticas mostram que toda mulher já sofreu pelo menos uma história de horror. Minha pesquisa pessoal confirma esta estatística, mas daí o patriarcado continua nos dizendo que devemos julgar a outra para amenizar as nossas dores.
Eu tenho me descoberto cada dia mais feminista, Graças à Deus, e cada dia mais aprendo a sororidade, empoderamento e a dar a mão para outras mulheres, sem julgamento de feias ou bonitas, assim ou assado, apenas como mais uma que está nesta luta diária de desconstruçao, afinal eu ser mais sensível que o homem em nada faz com que eu seja mais frágil.
Viva as diferenças, mas nada onera os direitos iguais, o principal de um País laico, o de ir e vir. Infelizmente nós mulheres ainda somos demasiadamente privadas deste direito.
É tão pequeno todo este patriarcado, incutido, inclusive na cabeça e formação das nossas que dizem em alto e bom som: Sou feminina e não feminista!
Moças, o feminismo é a igualdade, é podermos andar de madrugada sem medo, é receber o mesmo valor pelo trabalho que um homem recebe. Em nada afeta sua feminilidade, mas também, e daí se a outra não quer ser feminina? Deixa ela, direitos iguais, lembra?
Em algum determinado momento do dia me lembrei dos comentários que ouço que tenho que casar, e nesta busca desenfreada dos meus amigos em arrumar um marido eles me apontam qualquer solteiro que seja pelo menos 10 anos mais velhos que eu, nada contra a diferença de idade, mas o reverso é sempre muito mal visto: -Ah, ele não, ele é 5 anos mais novo que você.
-Mas aquele que você quer que eu saia não faz o meu tipo e é 20 anos mais velho.
- Só que você já passou dos 30 e tem filhas, duas ainda, tem que ter alguém na sua vida mais estável (lê-se mais velho) porquê o importante agora é ter alguém do seu lado.
Não, não e não! O importante é eu querer e ele querer, o importante é respeitar as diferenças, o importante é se eu não quiser não ter ninguém também, é eu criar e educar as minhas filhas sozinha sem constrangimentos, é eu não ter que engolir o aborto patriarcal e não poder falar a respeito de estupro porque expõe o cara e se estava casada ele tinha o direito.
O importante é nós mulheres pararmos de iludir umas as outras, sermos sinceras sen julgamentos, aprender o que é ser feminista e dar o direito a cada um ter o seu espaço, ser quem ou como quiser, é não criarmos filhos machistas e nem mulheres submissas.
É não se envergonhar da liberdade de expressão e não atacar nem verbalmente aquela outra mulher que com certeza em algum momento da história também foi oprimida e tem a sua triste história de horror.
Avante mulheres, temos cada dia mais ganhado força e voz, só nos darmos as mãos que somos fortes.
sábado, 24 de outubro de 2015
O Aborto
Faz uns dias que este texto está atravancado na minha goela e dedos, acho até que por isso não tenho conseguido dormir direito.
E desta vez o texto vem pra cá e não para o blog onde eu assino com o meu pseudônimo.
Agora tudo bem o aborto patriarcal, pq eu já não tenho mais o frescor da juventude, tão pouco fico calada perante os abusos dele.
O aborto está sendo praticado, acobertado e apoiado a todo momento pela sociedade hipócrita, afinal a mulher que tem que se cuidar, ela é uma otária pq engravidou, e ele pelo menos paga a pensão.
E desta vez o texto vem pra cá e não para o blog onde eu assino com o meu pseudônimo.
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Vejo-me estuprada diariamente pela sociedade machista e patriarcal.
Sinto nojo de pensar nestas leis que tocam e invadem o meu corpo.
A vontade de torturar estes merdas que fazem comentários sexuais com uma menina de 12 anos é grande.
Até que dia aceitaremos as cantadas, invasões e agressões sociais, patriarcais e machistas?
A dor é contínua.
Dói todos os dias o aborto das minhas filhas.
E não falo daquele que sofri quando perdi um neném e o pai deu graças à deus, falo das que estão aqui, paridas, que o pai troca ausência por dinheiro.
Todos os dias dói o estupro cometido.
E não falo daquele que antecedeu o aborto, falo das filhas que estão aqui, paridas, que vieram para o meu ventre sem a minha permissão, mas o pai delas me achava linda a ponto de tudo bem ter uma filha comigo, mesmo que eu não concordasse.
Agora tudo bem o aborto patriarcal, pq eu já não tenho mais o frescor da juventude, tão pouco fico calada perante os abusos dele.
O histórico familiar de abusos é grande, mas por hoje chega.
Minhas filhas não são mais filhas do abuso, elas são as mulheres que quebram este DNA de abusos.
No meu corpo NÃO MAIS.
No delas, NUNCA!
Chega do silêncio e da vergonha que faz parte da cultura do estupro.
Chega desta cultura machista, patriarcal, preconceituosa e do cala boca e chupa logo.
No meu corpo eu tenho direito.
Das minhas palavras eu tenho o domínio.
NÃO! NÃO! NÃO!
Eu estava dormindo, pq eu estava bêbada e depois pq eu estava cansada, não tive direito sob o meu corpo.
E quantas outras estavam acordadas e sendo apenas torturadas e manipuladas?
CHEGA!
Não me calo mais, não se calem mais.
Ponham pra fora, porquê a culpa não é sua, não é com você, é com ele.
Tiremos a cultura da vergonha e do estupro e enraizemos a SORORIDADE.
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