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domingo, 9 de setembro de 2012

Dépaysement


          Eu tenho a sensação de estar sempre fora de contexto, de nunca estar onde eu deveria, ou até mesmo gostaria de estar.
          Me parece que meus amigos estão sempre longe, outras cidades, estados, países.
          Vivo a constante de achar que se eu tivesse naquele outro lugar eu estaria bem, feliz, completa.
          A sensação de incompletude me acompanha.
          E então eu me pergunto: -Eu não caibo neste mundo? A vida não me veste?
          Sim, a vida me veste, mas nem sempre, ou quase nunca, me basta.
          O ser humano é movido pelo que ainda não conhece, pela estranheza das coisas, pela insatisfação.
          Eu penso que se em algum momento atingirmos a sensação de realização plena, ficaríamos desmotivados, se alcançarmos os objetivos e não tiver mais nada pela frente a gente pode parar, estacionar e ficar, e então não há mais progresso.
          Não falo do progresso científico, material, não que estes não sejam importantes, mas falo do progresso espiritual, mental, de auto-conhecimento e crescimento.
          Por vezes me martirizo por não estar satisfeita nunca, até que percebo que sou movida pela insatisfação. Não por um bel-prazer de reclamar, mas de procurar o novo, vivenciar o que ainda não veio, o desconhecido. E então me conformo por ser uma eterna insatisfeita.
          Não, na verdade nunca me conformo, nem em ser uma eterna inconformada, o conflito interno nunca para. "Pare de reclamar". "Não se conforme". "Está bom". "Tem que ser muito melhor".
          E assim sigo os dias, procurando as respostas nas músicas, leituras, no dia-a-dia e nas constâncias e, principalmente, inconstâncias da vida. Com a sensação eterna de estar deslocada. Mas isso é o que me move a procurar o meu lugar no mundo, sempre tendo a certeza que o meu mundo está em mim, e que este é o único mundo que eu caibo, onde posso falar todas as línguas que invento.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

15 de agosto


Sexta-feira, 15 de agosto, de um ano qualquer.
Um sorriso inusitado anunciava que era o mês do cachorro louco, mas o coração saindo pela boca não se fazia entender.
Um capítulo de Isaías, pensamentos voando, uma risada rara e um nome desconhecido.
A noite correu com encantamentos, devaneios, desconfianças, confianças...
Tudo confuso. E o coração? Ah! Este já tinha saído pela boca.
A manhã chegou, o sol, a fome.
Andaram, conversaram, enrolaram-se para ficarem mais tempos juntos.
A durona? Com o coração saindo pela boca.
Em um outro dia se encontraram, conversaram, brincaram e dentre tantas músicas conhecidas aquele nome antes desconhecido, agora tão familiar, dedilhou uma música, inédita, mas que ela, com o coração na boca, sabia cada frase, cada palavra que seguia.
O mês do cachorro louco seguiu, acabou, mas o coração ainda quase saía pela boca, e a certeza de que algo aconteceria e sua vida modificaria para sempre.
Mudou, mas ainda hoje, anos depois, seu coração ainda quase sai pela boca, como aconteceu em todos os seguintes 15 de agosto.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O restante...

E agora o que nos resta?
Não resta a nós, resta a mim.
Resta só a mim, as minhas lembranças.
Minha mente vagueia sobre elas e tenta trazê-las para o presente.

Presente?
O presente parece distante.

E então, o que me resta?
Lembranças que vagueiam e de alguma forma tento, como em um quebra cabeças, uni-las.
As lembranças são companheiras, mas não me fortalecem.
A vida segue, muitas vezes sem rumo, sem certezas.

Certezas?
Não há como tê-las, afinal nem sei qual é o certo.

E o que resta?
Um passado de lembranças,
Um presente distante,
E um futuro incerto.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Divagando na Madrugada...

E a dor invade junto com o sentimento de traição.
Todos traíram Todos traem!
Traímos a nós mesmos, os nosso sentimentos, os nossos princípios, então porquê ser fiel a outrem?
Não há porquê!
Mentir, trair, enganar e rir, Rir, RIr, RIR de tudo isso.
Rir da cara de palhaço de quem foi traído,
Rir do idiota que acreditou,
Rir do mané que confiou.
rir, Rir, RIr, RIR!!!
Dói? E o que eu tenho com isso, quero RIR, apenas RIR.
Os seus sentimentos não me importam,
Os seus sonhos amputados não me interessam,
Os seus princípios que caíram por terra não me comovem,
Os seus pensamentos que eu escuto, apenas me armarão para que a qualquer momento eu os use contra você, sem direito a um advogado, ou qualquer outra defesa.
Eu passeio,
Eu passo,
Eu encanto,
Eu sorrio de canto de boca,
E eu piso, sempre.
Engula esta dor,
Cale-se!
Ria! (?)