sábado, 21 de setembro de 2013

A Construção de um Herói

O País, carente de heróis resolveu criar um.
Procurou um com tom de pele que durante muitos anos foi socialmente excluído e, hoje não pode ser, pelo menos publicamente, porque é crime.
Não que este senhor não tenha cometido lá seus crimes, bateu em mulher, agrediu colegas de trabalho, rasgou constituição, mas foi relator, ou seja, relatou, leu, os autos de um processo no Poder Supremo do País, logo, juntando a carência de um povo com um processo de provas insuficientes, foi o suficiente para acobertar o crimes deste senhor.
Não, o povo não está errado de cobrar, de querer ver os julgamentos acontecerem, mas se já sub-julgam, para que precisam do Poder Supremo que condena ou inocenta a bel-prazer?
Então eis que chegam 5 ilustres, quase conhecidas, protestar contra uma lei que garantiu direitos a quem a mídia já tinha decretado culpado. Ora, há pouco todos gritavam que queriam que se cumprisse a lei e, agora protestam pelo seu cumprimento?
Há muitas contradições, inclusive, onde estas mesmo 5 ilustres se abrigam financeiramente, um lugar onde houve apoio a Ditadura brasileira, mas não perde a oportunidade de criticar a cubana, sem contar que sonegam milhões e anualmente pedem doações de bilhões em uma campanha para a "Esperança".
Quantas contradições em um país que não sabe muito bem o que quer, nem para onde vai. Vai no arrastão, vai na multidão, vai no poder da mídia que controla a massa.
Massa essa de coxinhas, que está cada dia mais estragada e com recheio de cartilagens.
Cria-se heróis baseado em nada, ou melhor, baseado na carência de heróis.
Precisamos que nossos esportistas voltem a aparecer, se manifestar, amar uma camisa, um time, o país onde vivem e, que vivam entre nós e não em outros países, onde tem uma folha de pagamento maior.
Claro, quem não quer uma folha de pagamento mais encorpada? Mas nem por isso se deve perder os princípios, os valores éticos e morais, sair por aí repetindo bonitas frases de efeito moral para "se sair bem na fita".
Que se construa heróis, mas que sejam eles verdadeiros, que não sejam gritados e muito menos impostos pela grande massa manipuladora de ideias, que estes heróis não sejam levantados em falsos alicerces, nem através de fotografias de grande impacto, que apenas palavras rebuscadas não sejam suficientes, que se cobre bons exemplos e, que tão pouco o remorso de um dia ter sido o maior alvo de preconceito, não tome conta da nossa capacidade de discernimento.
Consertemos nossos erros, enterremos nossos preconceitos, levantemos nossos heróis, deixemos o luto e vamos a luta, amemos nossa Pátria Mãe Gentil e sejamos filhos gentis.


domingo, 15 de setembro de 2013

O que foi feito, amigo?


   Dia destes fui visitar meu orkut, ainda tá lá, com aquela medalhinha por eu ser usuária há mais de 5 anos. Usuária, tipo droga, né?
     Mas verdade seja dita, eu entrei no orkut quando ainda se precisava de convite e me lembro dos primeiros contatos com ele, achei tudo lindo e muito legal, reencontrei muita gente da infância, adolescência, me senti muito próxima de várias pessoas e até sou dona de uma comunidade com mais de 2000 pessoas, hahaha.
     Enfim, fui ver as fotos e salvar algumas para colocar no face, pra mim o migrakut nunca funcionou.
     Em meio a tantas fotos, fotos de amigos, algumas mais recentes, outras de adolescência e resolvi colocá-las no face e fazer as devidas marcações, nenhuma horrenda, mas antiga, onde podemos agradecer ao tempo por ele ter passado.
     Fiquei feliz com a receptividade de uns, embaraçada com o silêncio de alguns e cheguei a pensar que nem tudo estaria perdido com o comentário de outros, ledo engano.
     Hoje, uma semana depois, fui mostrar para uma outra amiga e vi que uma pessoa se desmarcou das fotos, fiquei demasiadamente chateada e então apaguei todas as fotos da época, afinal, como eu disse não havia ninguém horrendo a ponto de se desmarcar, são apenas fotos antigas que se registrou momentos bons e até, porquê não, importantes da nossa vida? Do tempo em que se revelava fotografias. Mas fiquei chateada e tirei do face, eu teria achado mais conveniente a pessoa ter vindo até mim e falado: - Tem outra foto nossa? Aquela não me valoriza muito, mas aquele momento foi ótimo, porém de qualquer forma eu preferia deixar nossa amizade registrada com uma fotografia melhor. Ou algo do gênero.
     Não importa, não era preciso agir como se eu houvesse feito uma ofensa e não uma homenagem.

     Bom, eu sei que me coloquei a relembrar e pensar nos acontecimentos, depois da chateação e concluí que: amizade de adolescência é bom sim, demais, e com algum esforço conseguimos manter, mesmo que nossa vida mude o rumo completamente, que o gosto seja outro, que venham namorados, maridos, filhos...Tenho alguns amigos mais antigo que podem comprovar, porém, amizade nenhuma é mantida sem carinho, sem regar, sem ligar.
     Não existe amizade bem sucedida com: -Vamos marcar um dia.
     Adolescentes estão descobrindo o mundo e as maiores influências da vida de uma pessoa são seus
amigos daquela época, são eles que compartilharam os maiores segredos da vida, afinal, depois dos 30 poucos são os grandes segredos.
     Adolescentes tem um mundo para desbravar, e poucas coisas é tão boa quanto se sentar 15, 20, 50 anos depois e chorar de rir, de saudade, de alegria dos planos e até dos objetivos alcançados.
     Amigos que fazemos na adolescência são irmãos extras que Deus dá pra gente.


     Há alguns, não muitos anos atrás, eu estava de visita a minha cidade, a qual eu voltei a morar, e uma das minhas amigas de adolescência foi apresentar uma peça teatral, então eu peguei Sofia, convidei meu tio e fomos, daí Sofia perguntou: - Mãe porque a gente tem que ir ver esta peça?
     E meu tio, mais rápido do que eu, respondeu:
- Porque quem vai estar na peça é uma amiga da sua mãe, desde que ela era nova, e você vai crescer, casar, ter filhos e elas continuarão sendo amigas, até ficarem velhinhas.
     E eu nesta hora tive convicção que ele falava uma verdade.
     Hoje eu lamento, não sei mais nem se ela tem celular, moro bem perto das minhas amigas de adolescência e só vejo uma, a que mora mais longe.
     Tenho consciência que os interesses mudam, o ritmo é outro, assim como tenho certeza que é possível regar uma amizade até quando se está distante, o que dirá perto.
     Mas a distância não se dá somente a geografia, se dá também a importância que você dá para esta ou aquela pessoa, aquele acontecimento, aquela fase.
     O fato é que crescemos, e os antigos amigos podem continuar sendo amigos, afinal se cabem os novos no nosso dia-a-dia podemos manter os que vieram antes.
     Nos adaptamos tanto com o novo e simplesmente descartamos os antigo, esquecendo o custo que foi cativá-lo.
     E assim formamos laços superficiais, nos trancamos em nossa falsa felicidade, descartando passagens ruins das nossas vidas, juntos com as pessoas e lamentavelmente enterramos passagens boas e bonitas.
     Seguiremos assim, descartando os amigos, os amores, a vida.
     Troquemos de amigos, como um adolescente troca de namorado.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Tempo

E o tempo vem como uma avalanche.
Sem que se percebesse ele passou,
E a vida aconteceu,
E machucou,
E a gente descuidou,
E marcou,
E o coração endureceu,
As lágrimas secaram,
O amor morreu.

A vida corre,
Sem que se note.
Rugas,
Pés de galinha,
Celulites,
Gorduras,
Descuido,
Desilusão,
Desamor.

O relógio não para,
O tempo não perdoa,
A vida não volta.
Lembranças,
Histórias,
Marcas,
Passado,
Presente,
Futuro!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Padecendo no Paraíso

     Elas estão se revezando.
     Há umas três semanas foi Valentina que acordou de madrugada com dificuldade para respirar, então às 3:30h da manhã lá estava eu, dando entrada no Pronto Socorro.
     Semana passada foi Sofia que me fez ir ao hospital correndo, 4h da manhã. Levou um tombo da cama e se queixou de muita dor. Fomos liberadas depois de um raio-x e muitas perguntas e olhares desconfiados. Fomos liberadas depois que foi concluído que ela apenas caiu da cama.
     Há dois dias atrás Valentina acordou, por volta desta mesma hora, 3:30h, 4h, vomitando. Depois de um banho foi deitar com a mamãe sorrindo.
     E hoje, Sofia, um pouco mais tarde, 5:30h, acordou se sentindo mal, tonta, com náuseas, dor-de-cabeça e afins, claro, fomos novamente correndo para o Pronto Socorro.

     Aí me perguntam: - O que você faz da vida?
     - Sou mãe!
     - Não! Para viver.
     - Ah! Para viver?
     - Bom sinto o cheiro delas, cada vez que vem para o meu colo, sorrindo, chorando, ou só em busca de colo, farejo, como um bicho, para sentir o cheiro das minhas crias.
     Ás vezes as chamo para o meu colo, com saudade do cheiro delas.
     Ás vezes chegam da brincadeira, suada e mesmo assim, é o melhor cheiro do mundo.
     Por vezes esbravejo e grito, dentro de mim, que não nasci para ser mãe, que não tenho paciência, que me falta este dom e que eu não aguento mais, até que uma delas chega e quando eu percebo já invadiu o meu colo e sinto o cheiro de filha.
     Até quando uma grita de fome e a outra pede uma revistinha no banheiro, para ajudar a fazer cocô, e eu penso nos comerciais de margarina, me perguntando onde está o romantismo de ser mãe, com sobrancelha bem tirada, unhas feitas e um maridon boniton e gente boa, mesmo assim eu continuo sendo mãe.

     Tantas outras vezes quero desistir, não é fácil ser uma mãe separada e responder a todas as perguntas.
     Outras vezes quero ser a mulher mais linda e inteligente do mundo.
     Ver minhas filhas rirem e com muita satisfação proferirem: - Esta é a minha mãe! Sabe até que chuchu se escreve com ch, além da letra de todas as músicas do mundo!
     O fato é, que querendo ou não, me divertindo ou não, gostando ou não, e eu até gosto, mesmo não sendo muito, para viver eu sou mãe.

domingo, 25 de agosto de 2013

A marca dos 5000 views

          5 anos, 10 meses, 7 dias, 104 postagens, das quais 94 foram publicadas, 27 comentários, 3 cidades, 1 filha, 1 marido, 1 namorado e alguns amores depois o Pinkekeando atingiu a marca de 5000 views. Para mim uma marca muito legal.
          Me lembro do dia em que eu criei o blog,eu morava em Salvador e já tinha um tempo que eu tinha vontade de ter um espaço para colocar as minhas ideias, era um domingo como este e o que dominava era orkut e o msn. Ideia ainda tinha acento.
          Passei o endereço para alguns amigos e sempre que postava mandava o link para uns poucos, a intenção nunca foi atingir um alvo grande, para não criar um vínculo onde eu tivesse a obrigação de atualizar sempre.
          Aliás, já fiquei um ano sem postar e então eu fiz um post prometendo voltar mais constantemente, quase todos os dias...voltei quase um ano depois...hahaha (Fazendo estas contas então devo diminuir 2 anos da idade do blog?)
          E por falar em posts o assunto que eu mais falei aqui foi sobre sentimentos, 24 vezes, depois sobre mim (sinal que não me preocupo com a vida alheia) 17 vezes, falei bastante também sobre o amor (what?) 12 vezes. E eu tenho quase certeza que eu não coloquei marcador toda vez que eu falei sobre música, só tem 4 marcações.
          Eu de vez em quando releio minhas postagens e fico muito feliz em ver que eu melhorei muito. Me dá nos nervos encontrar erros de português, muitas vezes erros ridículos, inclusive de pontuação. Além de abreviar muito as palavras. Ainda hoje eu abrevio quando estou conversando, mas no blog prefiro não.
          Ah, e sabe qual foi o post mais visto? Foi a única vez que eu falei sobre futebol, o Vai Corinthians!!!, em segundo lugar está o Superação, acho forte, gosto dele, e em seguida vem a MINHA vida.
          O dia que mais teve visita foi este mês, dia 15, atingi a marca de 150 views no blog em 24 horas, a máxima tinha sido 40 e alguma coisa. Isso fez com que o post deste dia, Eu, o impossível chão ficasse em quinto lugar no ranking, e este foi, com certeza, o post mais difícil de escrever e o que eu mais expus, mas me fez muito bem, foi como desengasgar.
          Se baunilha fosse fruta... ainda é dos meus preferidos, eu rio sempre que eu leio, o Passarinha é o que eu acho mais delicado e A nossa história ainda me tira suspiros.
          Gosto muito quando as pessoas falam que vieram ao meu blog e se identificaram. Estes dias uma amiga falou que leu um poema que eu compartilhei no face e chorou. Eu respondi: Foi do Carpinejar o poema que eu compartilhei, e ela: É lindo, falando sobre a Solidão. Daí eu ri e disse, não, sobre a Solidão é meu!
          Não, eu não fico feliz porque alguém está triste, mas sim por ter meu objetivo como escritora atingido, alguém se identificou. =)
          Apesar de não almejar milhões de views em um dia e nem muitos comentários, fico feliz quando comentam e principalmente quando não está como Anônimo.
          Tentei escolher um post preferido, mas não tenho. Em termos técnicos eu acho que do ano passado pra cá eu arrebentei, melhorei muito (sem prepotência), eu percebo isso e já obtive alguns feedbacks que vieram confirmar.
          Apesar de não ter um preferido tem um que eu escrevi sobre Padrão Familiar e este foi o que mais trouxe pessoas até mim falando que se identificou e gostou muito do texto, modéstia a parte, eu realmente acho ele fuderoso. O que eu mais chorei relendo foi Reconhecendo o olhar e o que eu mais repassei mentalmente antes de escrever foi Meu conto de fadas.
          Reconstruindo também foi um marco e lendo ele depois do meio do ano eu ainda me identifico com o que eu desejei no fim do ano.
          E como não podia deixar de ser Participação muito mais do que especial ainda me enche de alegria e sempre que eu posso eu uso ele para incentivar Sofia a estudar, não que ultimamente tenha adiantado... :/
          Encomenda eu tive uma, e dei uma travada, mas escrevi e a pessoa que encomendou curtiu, aliás, eu ter travado foi um ensejo para o post Porque a vida nunca nos dá a resposta que queremos?.
          Enfim, eu pensei em fazer algo diferente, daí eu pensei: Sorteio! E então eu pensei: Vai no modismo Carolina? Todos os blogs fazem isso em busca de popularidade e essa não é a proposta do Pinkekeando, tudo bem, você é artesã e gosta de presentear com os seus produtos, mas enquanto eu pensava uma amiga, do nada, mandou uma mensagem inbox no face: Sedex tá muito caro. Desanimei...hahahaha. Depois eu comentei com ela sobre o blog e que eu pensei no sorteio, mas que talvez isso trouxesse uma popularidade em que me obrigasse a publicar mais no blog e enfim, não sei se estou preparada para isso, então por enquanto, nada de sorteio, mas, eu aceito presentes =), só mandar mensagens inbox, ou um comentário aqui mesmo...huahuahuahu
          Bem, de qualquer forma é legal estar aqui este tempo e ver que a proposta do blog não mudou, ainda falo sobre mim, sobre a vida, sobre filmes, músicas, política e a vida.
          O layout pouco mudou e rosa ainda é a minha cor preferida.
          Sejam sempre muito bem vindos e venham sempre ao Pinkekeando. Deem feedbacks, gosto deles. =)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Solidão

Sem prévias licenças ela invade,
Como quem fosse convidada ela assenta-se.
Faz-se cruelmente presente.
Então vem os modernistas: -Só se sentirá feliz com alguém quando se sentires bem sozinho.

Ora, faça-me o favor, não nasci para viver só, se assim fosse não teria nascido ligada a um cordão umbilical
Gosto de gente, de movimento.
Gosto de risos, palavras, conversas jogadas fora e debates políticos.
A solidão arde.

É uma necessidade de demonstrar o quanto se vive bem sozinho,
O quanto está melhor após terminar um relacionamento, que eu realmente não entendo então porque esteve junto.
Esteve junto porque a companhia da pessoa é agradável? Por medo de estar sozinho? Para não passar atestado de "falido no amor"?
São tantos motivos que ligam as pessoas e depois elas simplesmente desdenham, como se aquela união tivesse sido a mais burra.
Bem, pode ter sido, mas a burrice foi sua, meu caro, minha cara.
É constrangedor ver sua alegria forçada em estar só.

A solidão segue de mãos dadas com a desilusão e há de se ter cuidado para não abraçar o amargor.
Ter momentos solitário é diferente de conviver com a solidão.
Cuidado ela chega sorrateiramente afetando seu humor e te faz acreditar que é mais sábio dividir-se consigo mesmo, e então quando menos esperar estará em cacos, sem ninguém que possa colar.
É agonizante.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Eu, o impossível chão

Ex-amor,
Gostaria que tu soubesses
O quanto eu sofri
Ao ter que me afastar de ti.
Não chorei!
Como uma louca eu até sorri,
Mas no fundo só eu sei
Das angústias que senti.

Sempre sonhamos
Com o mais eterno amor.
...mas não deu
Nos desgastamos
Transformamos tudo em dor.

Tudo foi transformado em dor nestes últimos 10 anos.
Tenho lembranças onde eu narrava para os outros com tudo tão florido e bonito, descrevendo sentimentos puros e honestos, mas a lembrança da vivência é outra.
Me lembro de falar que eu era amada, mas me lembro de estar só.
Me lembro de angústias apertando meu peito e minha cabeça atordoada, pensando sempre: E agora?
Dores inenarráveis para o que era dito como o mais perfeito amor.
Era uma noite de sexta, dia 15, no mês do cachorro louco, e eu me achava tão esperta...Era só uma menina de 21 anos.
Eu olho hoje para a minha história  e me sinto tão velha, e de repente talvez eu tenha apenas conhecido um conceito cruel do mundo cedo demais.

De repente, tudo que era admirado virou acusação.
Lembro-me nitidamente de Armênia falando: - Ele tirou sua inocência, Carol.
E eu em mais uma tentativa de conversa, que nunca aconteceu em todo este tempo, sim, nunca aconteceu uma conversa, houve apenas muitos apontamentos e acusações, eu chorava copiosamente e dizia, olha por tudo que eu estou passando, as coisas que eu sinto, o que eu conheci, até Armênia comentou.
Então, cruelmente, ouvi: - E ela queria o que? Que você continuasse aquela idiota que eu conheci?

Idiota? Eu tinha apenas 21 anos, conhecia alguma coisa do mundo, mas não a maldade na sua essência, ninguém sentia tanto prazer em me maltratar.
E eu fui cada dia mais acreditando que eu precisava estar ali, que eu não tinha outra saída, me emaranhei nesta teia, me prendi nela e cada dia mais esta teia foi me sufocando.
Drogas, traições, acusações, ciúmes, condenamentos, arquivos ocultos, fotos, desvio de caráter...
E eu ali, me sentindo culpada, imagina, fui acusada até pela sua mãe, por ela, que deveria te orientar, mas não tinha muito tempo para perceber o que se passava com você, enquanto você conhecia a perversidade.

Perversa, é, uma vez você disse que eu era cruel e perversa, hábito de acusar-me dos seus maus feitos.

Hoje não sou mais aquela menina, aliás, não tenho traço nenhum dela, habituei-me a estar na defensiva sempre. Tenho dificuldade em lidar com as pessoas, faço terapia e veja só, até remédio tive que tomar para me tirar da cama.
Terapia, ah! Te pedi tanto que fizesse uma, chorei para que fizesse comigo, mas o que fizemos juntos? O que plantamos juntos? Nem amigos. Os seus amigos não podiam ser meus amigos. Disse a todos que eu era louca, ciumenta. Não era eu, né? Sabemos que não!
Filmes como O Lenhador, Confiar fizeram parte da minha terapia para que eu entendesse que o problema não é, e nem nunca foi meu, mas mesmo assim doeu.

O que doeu mais? Perceber que não era eu a doente ou perceber que você meticulosamente jogava as suas culpas e horrores para cima de mim?
Não sei! Ainda acho que não é a toda hora que percebo. Ainda estou no processo de me reerguer.
Hoje mais forte que ontem, mas ainda com dores que transcendem meu emocional, sinto no físico. É devagar que se levanta e tenho tido apoios importantes e mais fortes que o seu trator que ainda insiste vir para cima de mim. Sozinha não consigo.

Mas se foi de tudo ruim? Não, não foi. Não repetiria nada, mas aprendi bastante.
É uma fase, uma etapa que está no fim.
Se terá vencedores? Bem, estou reaprendendo a sonhar e me socializar.
Tenho encontrado tranquilidade e paz.
Isso vale mais.

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender.

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Manual da Mulher Perfeita

          Alguém me conta da onde saiu que a mulher para ser perfeita hoje em dia tem que estar sempre com a sobrancelha desenhada e tirada? Com as unhas compridas e impecáveis?
          Da onde que saiu esta ideia que para sermos bem sucedidas temos que estar bem casadas, esperando o maridinho com uma jantinha delícia, as crianças banhadas, tarefa prontas, sorridentes só para desejar boa noite para o pai e irem deitar alegres com a historinha que a mamãe vai contar?
          E temos que sair mega sensuais do quarto das crianças, aliás, temos que estar sempre sensuais, como Angelina Jolie, mas com peitos, afinal sensual sem peito, só ela mesmo.
          Temos que ter um trabalho que se destaque, mas nunca mais do que os homens, um bom salário, manter a casa sempre impecável, deixar as crianças sem atraso na escola e lembrar sempre de sorrir e estar bem humorada nas reuniões e festinhas, porquê afinal, seu filho é uma bença, e é mesmo, e sempre tira boas notas e é uma candura de criança.
          Ah! Esteja no portão da escola 5 minutos antes dele sair, leve para casa, dê aquele almoço caprichado que você preparou e o leve para as atividades extra-curriculares.
          Lembre-se as 14h você tem que estar de volta ao seu escritória, linda, sem cheirar a gordura, ou detergente, só porquê deixou a pia limpíssima, você não pode contar com a ajuda de uma empregada, ou babá, você é a Mulher Perfeita, lembra?
          Seu chefe está mal humorado porque um cliente quer uma solução para ontem? Não tem problema, você está impecavelmente vestida e se o seu prazo é de duas horas e meia, você só precisa de uma, afinal o seu outro filho tem uma festinha e você irá aparecer sorrindo por lá...
          Alguém me conta da onde saiu a ideia da mulher impecável.
          Foi de uma mulher?
          Hollywood?
          Novelas?
          Você não sabe, porque a mulher perfeita não assiste novelas, não se preocupa com futilidades, ela assiste a desenhos infantis, lê três livros ao mesmo tempo, nenhum de auto-ajuda.
          A mulher perfeita, que não tem tempo nem para escovar os dentes, está sempre com um sorriso impecável, brilhante, conciliando trabalho, filhos, casa, marido, estudo, cólicas, dr de cabeça, livros, academia, roupas lindas, sem sair para a futilidade das compras.
          Pele impecável, corpo admirável, felicidade intocável e nenhuma dúvida sobre nada, insegurança não cabe ali.
          Alguém, por favor, me diz, quem inventou tanta coisa para a mulher?
          Ah mulher, existe figura mais lendária do que você?

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Quem é Elena?

Quem é Elena?
Elena com capacidade de ser tantas era apenas uma, não mais uma.
Mas, quem a sabia?
Ela se sabia?
Em Elena havia perfeição, solidão, sorriso, olhar distante, profundo.
Quantas cabiam em Elena?
Elena sou eu!
Você é Elena?
Quem é Elena?
Somos muitas!



Gente, depois que eu escrevi ontem resolvi participar do concurso cultural da página, por favor, votem na minha foto.
Segue o link: http://www.facebook.com/Elenafilme?sk=app_477948252227620&app_data=entry_id%3D86971&entry_id=86971

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Elena

- Te vi em Elena. Muito triste o fim dela, não entendi por qual motivo ela se matou.
- Tristeza, falta de compreensão, inconformismo.
Acho que sou uma suicida em potencial, entendo cada palavra, cada sentimento de Elena, choro só de ver o trailer.
- Só por isso? Acho que ela estava depressiva...Mas só deu para encher os olhos d`água um pouquinho!
- Eu me acabei de chorar. hahahahahaha
- kkkkkkkkkkkk. Quando eu te via no filme eu me emocionava, estava sozinha na seção.
- Que horas me via?
- Por ser mais velha, olhar triste...Tenho que ir buscar o meu marido. Bjo.
- Bjo, amo-te.
- Muito obrigada pela dica, amei o presente.
- =). Que bom!
- Amo-te também! Saí outra pessoa dali, daquele cinema. Sinta-se fortemente abraçada!
- Quem sabe além de me ver, me compreenda um tico mais. Agora vai pq já estou chorando. (Virando água)